Mônica Figueira · Jornalista

Novo modelo de recolhimento de tributos pode alterar a forma como empresas recebem pelas vendas e exige mais atenção ao fluxo de caixa.
Por Mônica Figueira | Colaborador TOK
O split payment, também chamado de pagamento dividido, é um modelo em que o valor de uma venda pode ser separado automaticamente no momento do pagamento. Nesse formato, uma parte segue para a empresa e outra é destinada ao recolhimento dos tributos envolvidos na operação.
Na prática, isso muda a forma como o empreendedor deve olhar para o dinheiro que entra no negócio. Em vez de receber todo o valor da venda e recolher os impostos posteriormente, parte do recurso pode deixar de passar pela conta da empresa.
A Lei Complementar nº 214/2025, que integra a regulamentação da Reforma Tributária do Consumo, trata do recolhimento na liquidação financeira, conhecido como split payment. Por isso, o tema exige atenção de empresas, contadores e pequenos empreendedores que precisam se preparar para uma nova dinâmica de gestão. A legislação pode ser consultada no site do Planalto.
Mais controle, mas menos dinheiro disponível no caixa
Para pequenos e microempreendedores, a principal mudança está no caixa.
O modelo pode ajudar a reduzir erros no recolhimento de impostos e tornar parte do processo mais automatizada. No entanto, o empreendedor precisará entender com mais clareza quanto efetivamente ficará disponível depois de cada venda.
Esse ponto é essencial porque muitos negócios ainda confundem faturamento com dinheiro livre para uso. Uma venda pode gerar entrada de recursos, mas nem todo valor recebido representa capital disponível para pagar despesas, comprar estoque ou retirar lucro.
Para empresas que trabalham com margens apertadas, essa diferença pode impactar pagamentos de fornecedores, despesas operacionais e capital de giro.
No Tok, esse tema se conecta diretamente à importância de organizar despesas e evitar dívidas, especialmente para quem precisa manter previsibilidade financeira em períodos de mudança.
Fluxo de caixa passa a exigir ainda mais atenção
Com a separação automática dos valores, acompanhar entradas e saídas de dinheiro será ainda mais importante.
O empreendedor precisará conhecer melhor sua margem, organizar custos e evitar utilizar como capital disponível valores que seriam destinados ao pagamento de tributos.
Esse cuidado vale para negócios de diferentes portes, mas pesa ainda mais para pequenos empreendedores. Afinal, em empresas menores, qualquer diferença no caixa pode afetar compras, salários, contas fixas, reposição de mercadorias e investimentos básicos.
Por isso, sistemas de gestão, conciliação financeira e acompanhamento contábil tendem a ganhar mais relevância nesse cenário.
Quem ainda controla o negócio apenas por extratos bancários, anotações soltas ou memória precisará dar um passo adiante. O split payment reforça a necessidade de olhar para números com disciplina e frequência.
Gestão financeira deixa de ser opção e vira prioridade
O split payment não significa, necessariamente, aumento de imposto. No entanto, ele muda a dinâmica financeira da operação.
Essa diferença precisa ficar clara. O ponto central não é apenas quanto a empresa paga, mas quando o dinheiro sai do fluxo do negócio e quanto permanece disponível para a gestão do dia a dia.
Por isso, o empreendedor precisa saber responder perguntas simples, mas decisivas:
Quanto custa vender?
Qual é a margem real de cada produto ou serviço?
Quais despesas vencem antes do próximo recebimento?
Quanto do faturamento precisa ficar reservado para impostos, fornecedores e capital de giro?
Essas respostas ajudam o negócio a atravessar mudanças com mais segurança. Além disso, fortalecem a tomada de decisão e reduzem o risco de usar dinheiro que já tem destino obrigatório.
Esse tema também dialoga com conteúdos do Tok sobre como iniciar um negócio com planejamento, já que a saúde financeira começa antes mesmo das primeiras vendas.
Pequenos negócios precisam se preparar
Para micro e pequenos empresários, o principal desafio será se adaptar à nova lógica sem comprometer o fluxo de caixa.
Buscar orientação contábil, acompanhar as regras aplicáveis ao próprio regime tributário e fortalecer o planejamento financeiro serão passos importantes para atravessar essa mudança com mais segurança.
Também será necessário revisar hábitos de gestão. Muitos empreendedores olham apenas para o valor bruto recebido, mas o novo modelo reforça a importância de trabalhar com valores líquidos, margens reais e projeções de caixa.
Na rotina do pequeno negócio, isso pode significar rever preços, ajustar prazos de pagamento, negociar melhor com fornecedores, acompanhar relatórios e manter uma reserva financeira sempre que possível.
Em um ambiente de mudanças tributárias, a informação se torna uma ferramenta de proteção. Quanto mais cedo o empreendedor entender os impactos sobre sua operação, maior será sua capacidade de adaptação.
O papel do contador e da tecnologia
O contador tende a ganhar ainda mais importância nesse processo.
Além de cumprir obrigações fiscais, esse profissional pode ajudar o empreendedor a compreender o regime tributário aplicável, interpretar mudanças, organizar documentos e projetar impactos no caixa.
A tecnologia também será uma aliada. Sistemas de gestão, emissão de notas, controle de vendas, conciliação de pagamentos e relatórios financeiros podem ajudar o empreendedor a enxergar melhor a operação.
Esse cuidado não é apenas burocrático. Ele ajuda o negócio a saber quanto vende, quanto recebe, quanto paga e quanto realmente sobra.
O que o empreendedor pode fazer desde já
Mesmo antes de sentir os efeitos práticos do split payment, pequenos e microempreendedores já podem se preparar.
O primeiro passo é organizar o fluxo de caixa. Entradas e saídas precisam ser registradas com clareza.
O segundo passo é entender a margem de cada produto ou serviço. Negócios com margem apertada precisam acompanhar de perto qualquer mudança no recebimento líquido.
O terceiro passo é conversar com o contador. Cada empresa tem uma realidade tributária, e a orientação profissional evita decisões tomadas com base em informações incompletas.
Por fim, vale fortalecer a educação financeira dentro do negócio. Esse tema se conecta a conteúdos do Tok sobre educação financeira e tomada de decisão, uma competência cada vez mais necessária para quem empreende.
Split payment exige clareza sobre o dinheiro que realmente fica
O split payment pode representar mais controle no recolhimento de tributos. Porém, também exige mais maturidade na gestão do caixa.
Para pequenos negócios, o ponto de atenção é simples: nem todo valor movimentado será dinheiro disponível para uso.
Por isso, planejamento, acompanhamento contábil e gestão financeira deixam de ser tarefas secundárias. Eles passam a fazer parte da sobrevivência e do crescimento sustentável do negócio.
Para o microempreendedor, entender essa mudança desde já pode fazer diferença na hora de manter o negócio organizado, competitivo e preparado para as novas regras.
Perguntas frequentes sobre split payment
O que é split payment?
Split payment é um modelo de pagamento dividido em que parte do valor de uma operação pode ser separada automaticamente para recolhimento de tributos, enquanto outra parte segue para a empresa.
O split payment aumenta o imposto?
O split payment não significa necessariamente aumento de imposto. A principal mudança está na dinâmica do recebimento e no impacto sobre o fluxo de caixa.
Por que pequenos empreendedores devem prestar atenção ao split payment?
Porque parte do valor da venda pode não passar pelo caixa da empresa, exigindo mais controle sobre margem, custos, despesas e capital de giro.
Como o empreendedor pode se preparar?
O empreendedor pode organizar o fluxo de caixa, conhecer melhor suas margens, usar sistemas de gestão, fazer conciliação financeira e buscar orientação contábil.
O contador será mais importante nesse processo?
Sim. O contador pode ajudar a interpretar regras, orientar sobre o regime tributário aplicável e apoiar o planejamento financeiro da empresa.





